domingo, 12 de janeiro de 2014


     Domingo ama o sábado, como se tivesse perdido um amor ou ainda lamentasse o fim de uma boa época de sua vida. Domingo pode ser inverno, dia de se recolher e se preparar para a terrível segunda, que promete não ter piedade, como alguém que, depois de dar um soco na cara, resolve dar mais um uma segunda vez, só pra garantir que machucou. Vem, bate, eu aguento, você pode dizer. Ou não – mas de qualquer forma lá ela vai estar, punhos em riste, no ringue. E então vem terça – o que é a terça? Não está perto do fim, mas está perto do meio. O meio é um consolo. Já que cheguei até aqui, acho que posso aguentar. E você sabe que só pode avançar, depois da metade. Mas e o tempo, pode retroceder? De qualquer maneira, a terça mostra que você pode sobreviver à segunda. E quarta, bem, chegamos ao meio. E embora a segunda e terça possam ter sido duras, o fato de que você está no meio traz a esperança de que a semana chegará a um fim. Já a quinta é como terça, mas ao contrário. Se a terça mostra que você pode sobreviver depois de ter passado por algo ruim, a quinta mostra que você pode sobreviver porque algo bom virá – e sexta é o limite. Sexta é o dia contado, o dia em que, depois desse árduo itinerário de dor e horários e rotina, você terá finalmente o seu descanso, o seu tempo livre e sem compromisso, pra fazer o que você quiser: o sábado. Sim, o sábado, aquele dia em que não importa o que você faça, você terá o domingo para que, durante o dia, você diga: Não importa, amanhã ainda é domingo. E um dia descobrimos: o tempo retrocede. Pois amanhã vai ser domingo, e você sabe que o dia seguinte é segunda, e tudo volta mais uma vez. Assim também é a história. 
     Então, hoje, eu pergunto, embora saiba que seja quarta, que dia da semana realmente é? E neste momento, onde você está: numa quarta ou num domingo? Pois às vezes, quando acordo, acho que é segunda, mas de repente, quando recebo a ligação ou mensagem de um amigo, por exemplo, é quarta, indo pro sábado. Já as noites podem oscilar entre sábado e domingo... A linha é tênue. Mas, assim como a história, a semana contida em nossos dias ou - por que não? - o mês contido em nossa semana ou mesmo o ano em nosso mês, enfim - tudo isso tem o peso que resolvemos lhes dar. É preciso que se pense por que segunda é segunda, quarta é quarta, domingo é domingo, para, assim como na história, começar, quem sabe, uma revolução - de dentro pra fora. Porque a semana ainda não acabou.

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