sexta-feira, 3 de janeiro de 2014


     E a Sonhadora. Na primeira vez que estive com ela foi como se ela abrisse um espaço para que eu me aconchegasse e me sentisse à vontade para existir. E sair com ela à noite era como enxergar todas as luzes que habitam a cidade de madrugada como estrelas. Era isso: ela trazia o infinito entre os cachos do seu cabelo. Mas não era que ela fosse idealista, sonhadora demais. Entendi com o tempo que para se alcançar o infinito da travessia ela precisava estar ciente de que tinha um limite, um teto, a tênue pele – isso o tempo todo ela apontava em nós mesmos, mas também em si enquanto era – simplesmente sendo. Só é possível trazer o sonho para a realidade quando aceitamos a existência do pesadelo, que já então não provoca mais medo, mas se torna parte de um sonho maior que nos habita, e de que fazemos parte.

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