segunda-feira, 15 de julho de 2013

Pelo avesso


     Os lábios tremeram; a boca entreabriu-se. Algo borbulhava – o que era? – no peito subindo lentamente – um grito, um choro, uma risada? – pelo canal que tinha sido aberto até – era agora – até ele se afastar. 
     Dessa vez foi por pouco, pensou. Mas, mesmo estando de volta, caminhando entre todos os demais ali, se fechasse os olhos ainda visualizava em sua mente a cabeça pendendo quebrada no pescoço, a mão espalmada na boca, os olhos escancarados – e sabia que ainda estariam lá: congelados até que ele voltasse e lhes desse continuidade diante do espelho. 

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