segunda-feira, 27 de maio de 2013

Devaneio solitário (II)


     Nesse horário costuma estar vazio. Os olhos dos prédios se acendiam sonolentos, os motores dos carros bocejavam no ar frio da manhã, os autômatos pelas calçadas ainda friccionando os membros para tirar a ferrugem da noite anterior, embora pela janela eu visse apenas o interior vazio do ônibus. 
     Por um momento, então, ele parou. A porta se abriu. E um passageiro apareceu, passou pelo cobrador que dormia – sua cabeça pendia abandonada ao ritmo espasmódico dos freios – e chegou tão perto de mim que pensei que fosse se sentar ao meu lado. 
     Mas ainda bem, meu deus, que nesse horário costuma estar vazio.

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