domingo, 17 de março de 2013

Tá tudo OK?

     
     Nas cadeiras de plástico da sala de espera do hospital esperávamos todos o atendimento. Eu ouvia a voz da enfermeira idosa que caminhava entre as macas dos feridos, convalescentes e enfermos perguntando: “Tá tudo OK?”. 
     Um senhor levantou-se ao ser chamado, caminhando muito devagar, meio manco – ao passar pela janela de vidro sua sombra anuviou os rostos das duas crianças que por um momento não riram mais – elas também esperavam – até ele entrar. A luz do final da tarde voltou a bater sobre o piso frio e esterilizado. E elas voltaram a brincar, rindo. 
     “Tá tudo OK?”, ouvi distante.
     Mas eu fiquei pensando o que eu poderia fazer com essa coisa gorda e inchada, aqui, jogada sobre o meu colo, cheia de músculos e nervos, pedindo – cardíaca – pelo meu próprio sangue para que começasse a bater.

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