domingo, 13 de janeiro de 2013



      A mariposa circulava em torno da lâmpada batendo insistente, ansiosa, contra ela em busca do seu calor. Era uma busca que, eu sabia, causaria a sua própria morte. Eu estava pensando nisso, quando finalmente ele abriu a porta.
      Mas quando entrei, e num último relance a vi caindo fulminada no chão enquanto ele fechava a porta atrás de si, nada fiz até que me perguntasse se eu não queria tirar o meu casaco e se não precisaria de uma toalha para me secar da chuva. E nos sentamos para ver um filme tomando vinho até que amanhecesse, e nós dois dormíssemos nos braços um do outro deitados no sofá depois de fazer amor, e a TV se desligasse sozinha.
      “Sim, nos falamos”, respondi. Ele fechou a porta atrás de mim, enquanto eu já me virava para descer os degraus. Olhei pra baixo: vi uma asa dela escapando da sola do meu tênis. E soube então que carregaria seus restos comigo. Mas se é só assim, pensei, que a gente consegue continuar caminhando

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