quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Café frio



Para Bruna.


     Quando tropeçou ela sem querer derrubou todo o café da sua xícara no moço sentado no banco do ônibus. E no livro que ele lia o líquido caiu como um borrão de tinta sobre as palavras. E então, tão próximos um do outro como estavam naquela hora, era inevitável que quando abrisse a boca gotas de café se derramassem a cada sílaba para entupir – ela achava – os ouvidos dele: 
     “Desculpa!”
     Mas ele diria, levantando-se e pedindo licença porque já era o seu ponto:
     “Palavras de café frio, são mais fáceis de limpar.”
      Se o encontrasse no dia seguinte, ela decidiu em casa, enquanto passava o pano sobre a página borrada do seu livro sobre a mesa do quarto, o convidaria para tomar um café. Café quente.

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