terça-feira, 14 de agosto de 2012

Um quarto esterilizado

    Quando um vento frio bateu era como se esterilizasse todo o calor. Eu, também, me senti esterilizado – como um quarto de hospital é depois que o cadáver  – que descanse em paz  – é retirado. Será que consigo chorar pelo corpo, agora que ele se foi? É claro que vez ou outra me lembrarei, mas com o tempo se tornará cada vez mais um rosto esfumaçado – lembra-se daquela vez em que
qual? 

já não consegue se lembrar ao certo, embora ainda leve flores para o túmulo em dias de cinzas, quando reconhece que, sem sua existência e morte, não seria o que é hoje – e que pode morrer a qualquer momento, antes até mesmo que essas flores em suas mãos murchem. Pois o que mede o tempo senão cada respiração-segundo enquanto nos julgamos – estamos? – vivos?
     Mas a sensação estéril não é boa também, percebeu. De alguma forma é a ausência. E como, agora, ocupar o quarto vazio e habitá-lo?  

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